carrego em meu carro
a caixa velha de um rádio que foi do meu avó Zeca
objeto de luxo da casa no sertão central do Ceará
me lembro que desta caixa ecoavam músicas de Roberto Carlos, Antonio Marcos, Angela Maria, Luiz Gonzaga
explicando: o miolo do rádio se foi
talvez com defeito ou sem jeito a loja de conserto
o jogou no lixo
a questão é que a caixa serve mesmo assim
já que é um material que me liga há tempos perdidos
que nem busco mais
razão: carrego a velha caixa para ajustar a deterioração dos cupins
que comem com voraciadade pedaços da minha infância
nem sei bei como dar um jeito nesta história
talvez nem haja jeito
as andanças pra lá e pra cá da caixa a balançar nas ruas da cidade
de repente posso ter um acesso de desapelo
e dar um fim nestes sons que em perseguem
Ah, sim, tenho outros objetos: um banco, uma cadeira
peso vivo da memória da família
às vezes até me canso
não sou eles e elas
eu sou assim
assim
assim
as
A
pesada da vida alheia
2 comentários:
Qual grande escritora você o é!!!! meus estímulos parabéns.
Legnar61.
Rangel
Qual grande escritora você o é!!!! meus estímulos parabéns.
Legnar61.
Rangel
Postar um comentário