sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

eterno retorno

é sempre asssim
final de ano: festas e balanços

tristezas e promessas
desenganos e planos
se a vida não foi o que idealizamos
então
as pernas cansadas
com as passadas cada dia mais curtas
desejam menos de tudo
e caminham simplesmente

domingo, 16 de dezembro de 2007

saudades

do sorriso, da bagunça, dos passos, dos abraços, dos gritos, das reclamações, dos carinhos, dos chutes, das corridas, das brincadeiras, dos barulhos, das conversas, das brigas, dos elogios, das raivas, dos afetos, dos medos, dos pés, dos cabelos, dos olhos, do espírito... de gente, dos meus filhos.

Meu primeiro livro feminista

“Mulher objeto...”
Anos oitenta. Um livro marcou minha adolescência e de minha turma: Mulher objeto de cama e mesa, de Heloneida Studart, comprado por acaso em uma livraria (Vozes) em meus tempos de participante de “Grupo de Jovens”; interessada em abrir os meus horizontes estreitos de menina do interior, matutinha mesmo, que passava a viver na metrópole. A descoberta do pequeno livro, escrito nos anos 70, com aspectos gráficos bem modernos e lúdicos, revelou-me algumas questões fundamentais para pensar a vida das mulheres. Era tempo das reorganizações sociais, da abertura política, da formação do PT e da CUT. Enfim, tempo em que ainda se acreditava em revolução socialista... tempo em que as mulheres já tinham muitos direitos garantidos... Meu tempo que ainda é hoje. E o divertido livro rodou em muitas mãos femininas... até que o perdi.

O mundo gira e dá muitas voltas...minha irmã casou-se com um sobrinho de Heloneida.

Nos anos 50, Heloneida debandou para o Rio de Janeiro. Retornava pouco à Fortaleza, a sua terra natal. E quando vinha ficava escondida do povo, só com a família, em especial com o seu irmão(Bob!) que ela amava tanto, o pai do meu cunhado... Ficava escondida? Ou talvez não tivesse o reconhecimento necessário da gente de cá. Não sei. Mas mas mas ...

Mas, certa vez, em 2004, tive a oportunidade de comparecer a um jantar e ficar ao seu lado. E na ocasião ganhei de presente outro exemplar do livrinho, a 24ª edição, com uma breve dedicatória. Ela? Muito leve, simpática e acessível. Falamos tantas bobagens que, agora, hoje com a notícia de seu falecimento, fico com remorso de não ter aproveitado melhor as horas em sua companhia.

Já ameacei escrever sobre as suas obras várias vezes. Comentei até com algumas amigas. E agora compartilho o que foi rápido e que poderia ter sido muito mais.. enfim, precisava falar DELA.

Cecília Cunha